Notícias Microware: Bancos reabrem os cofres para TI
 
 
Bancos reabrem os cofres para TI
 
Setor recupera trajetória de crescimento dos investimentos em tecnologia, que havia sido interrompida em 2009 pela crise, para ampliar receitas com novos serviços.
 
 
 
 
Fonte: Computerworld - 15/06/2011

 

Os serviços de pagamentos e recebimentos da rede bancária brasileira estão entre os mais eficientes e modernos do mundo. Isso porque o investimento em alta tecnologia sempre foi quase que um mantra no setor, para garantir posições privilegiadas em uma arena de forte concorrência. 

Mesmo em um cenário de crise, observamos evolução da tecnologia nos sistemas bancários no Brasil, de acordo com o professor de Finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Samy Dana. “Um dos exemplos é a Compensação Digital de Cheques [elimina a troca física de cheques com o uso de imagens], que entrou em vigor em meados de maio deste ano e para isso consumiu investimentos desde 2008.”

E não para por aí. A atenção atual dos bancos volta-se para tecnologias que estão mobilizando gestores de TI de empresas de variados setores da economia nacional: virtualização, business analytics, mobilidade, telecomunicações e digitalização. Recursos que já habitam muitos deles, mas que agora ganham força por meio da aceitação e amadurecimento em aplicações cada vez mais nobres.

A pesquisa Tendências e Principais Desafios de TI no Setor Financeiro Brasileiro, divulgada em março deste ano pela consultoria IDC, indica que, na comparação com 2010, cerca de 42% dos entrevistados acreditam que os investimentos em TI serão maiores em 2011. Metade dos participantes entende que os investimentos deverão ser iguais e apenas 3% preveem investimentos inferiores.

O estudo, que envolveu executivos de 62 instituições financeiras que atuam no País, aponta que entre as prioridades de negócios para o ano, na opinião dos executivos, estão, pela ordem, aumento de eficiência, receitas e portfólio. Quando o tema são iniciativas ligadas à inovação, a maioria tem como prioridade a criação de produtos e serviços, novas formas de relacionamento com o cliente e reformulação no atendimento nas agências, além de novos modelos de precificação.

Para o setor financeiro, novos serviços e tecnologias significam maior eficiência operacional, maior racionalização dos custos e aumento de receitas. Em resumo, tornam os bancos mais competitivos. Esses aditivos de TI estão sendo amplamente utilizados nas relações com os clientes, proporcionando formas diferenciadas de interagir e engordando carteiras. Além disso, também são instrumento para a bancarização da população, uma das maiores necessidades do mercado brasileiro, na opinião do Banco Central.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2010 os gastos do setor com TI atingiram 22 bilhões de reais, crescimento de 15% sobre o ano anterior. As despesas com tecnologia ficaram em 15,4 bilhões de reais, aumento de 13% sobre 2009 e os investimentos na área alcançaram 6,6 bilhões de reais, valor 19% superior.

O diretor de Tecnologia da Febraban, Gustavo Roxo, lembra que em 2010 houve recuperação dos gastos com TI. “Em 2009, aconteceu retração dos investimentos por causa da crise e os gastos com TI tiveram aumento de apenas 4% em relação a 2008”, diz o executivo, acrescentando que no ano passado as despesas com tecnologia recuperaram a trajetória histórica de forte crescimento.

“Os números mostram que os investimentos em TI saltaram a curva tradicional de despesas do setor, o que significa que os bancos continuam vendo na TI uma importante alavanca para suas estratégias de crescimento.” No período 2007-2010, esses gastos registraram incremento de 33%, confirmando a importância da TI nas estratégias das instituições financeiras.

No ritmo das tendências
Detalhando o balanço realizado pela Febraban em relação ao tema tecnologia, é possível verificar algumas tendências. Um exemplo é o crescimento de investimentos em mainframe para storage. Segundo o estudo da entidade, com os mainframes houve aumento de 31% na contração de Milhões de Instruções Por Segundo (MIPS) em 2010, revelando que os bancos tiveram de investir mais para suprir o crescimento orgânico do setor e a corrida aos dados.

Já a quantidade de terabytes de disco acenou com incremento de 24% no ano passado. Segundo Roxo, a explicação para a expansão é semelhante ao ocorrido com o mainframe. “Além disso, há outra questão importante: o crescimento exponencial entre 2004 e 2010. A capacidade em terabytes cresceu 11 vezes. Qual a razão? A grande demanda por dados dentro dos bancos e a queda do custo do terabyte.”
Roxo diz que atualmente mais do que capacidade de armazenagem, os bancos querem pagar pela velocidade das máquinas. “É fundamental, para conseguir a informação em tempo real.”

Business analytics em alta
“Fazer a gestão de dados ficou mais caro e ganhou maior complexidade. Há uma demanda por maior sofisticação nessa gestão. Antes, a análise de dados gerava informações mensais. Hoje, o interesse é pela captura de informações em tempo real”, informa Gustavo Roxo, diretor de Tecnologia da Febraban. Para ele, é uma tendência que deve ocorrer nos próximos cinco anos.

“Informação online é uma grande ferramenta”, diz e acrescenta que com o Business Analytics (BA) oferecendo informações com agilidade, fica mais fácil a gestão de taxas bancárias conhecer o cliente, saber como o mercado em que os bancos atuam está funcionando, além de ajudar na apuração de fraudes no sistema financeiro. “Com o BA, segmentos com muitas transações, como o financeiro, são mais impactados. Talvez o único que tenha abalo equivalente é o de telecomunicações”, afirma.

O Bradesco possui um departamento exclusivo de CRM (para gerenciar o relacionamento com o cliente), que facilita e agiliza a criação de produtos e serviços de acordo com as expectativas dos clientes, captadas por meio da tecnologia. “Assim, tudo o que oferecemos é sob medida para eles”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco, destacando que todas as campanhas e criação de produtos são realizadas por meio de prospecções, análises e garimpos usando também BI e BA.

O Bradesco utiliza muitos sistemas para gestão de risco e indicadores inteligentes que facilitam as prospecções de mercado e de crédito, agilizando sobremaneira processos de negócios, segundo Cezar. Eles estão integrados ao CRM e usados na automação da força de vendas. “O CRM está distribuído pelas agências e a equipe de vendas o usa para lidar com o cliente. É um grande gerador de oportunidades de negócios. O recurso é tão eficaz que o índice de assertividade nas ações, e campanhas, é de 60%”, diz.

O líder da Indústria Financeira da IBM para América Latina, Roberto Bisca, destaca que o volume de dados no mundo cresce exponencialmente. No setor financeiro, é preciso transformar esses dados em informação para tomadas de decisão com o objetivo de proporcionar aos bancos fazer a venda de um produto de maneira mais assertiva, de acordo com o executivo.

“Posso conhecer meu cliente com os dados que capturei (perfil e histórico) e serei capaz de oferecer a ele um produto de que, de fato, necessita”, diz. “Você reduz o tempo de resposta ao mercado para atendê-lo, porque fica mais agressivo”, explica. Ele acrescenta que essa gestão diferenciada se traduz em maior eficiência operacional.

O vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, Wilton Ruas, também destaca a importância do BA para ajudar na integração do banco com o cliente. “Cria-se uma ferramenta que identifica quem é o cliente. Assim, o banco o reconhece ao entrar na agência, por exemplo. De posse do seu perfil, é possível oferecer atendimento personalizado”, destaca e afirma que todo esse processo é a inteligência do negócio. “A tecnologia deve ter utilidade prática. Nesse caso, é usada no relacionamento que, acredito, é uma tendência.”

Já o diretor de Vendas da área de Financial Services da Oracle do Brasil, Ciro Coca, explica que o BA pode ir além da melhoria da gestão dos bancos. “Na parte de aplicativos analíticos, essas inovações podem ajudar a atender às necessidades dos bancos em organizar suas estruturas de dados. Com isso, eles podem melhorar a gestão contábil, reduzir a  dependência dos seus sistemas legados.”

Para Coca, as instituições financeiras ainda podem reorganizar seus dados para transformá-los em informações destinadas à apuração de resultados, bem como diminuir o  tempo de fechamento e aprimorar a gestão para as tomadas de decisão.

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