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Poucas vezes a tecnologia de consumo teve tanta afinidade com a computação corporativa como agora. Na mesma hora em que o CEO Steve Jobs, da Apple, lançava em São Francisco (EUA) seu serviço iCloud de música na nuvem, outra empresa, a HP, anunciava em Las Vegas, a quase 700 km de distância, produtos que servirão de base para serviços que, como o iCloud, deverão tornar a computação mais próxima do que é hoje o fornecimento de água e luz - o modelo de computação como serviço pago de acordo com o uso.
Mais que atualizar seu portfólio, o que a HP anunciou a clientes e parceiros no Discover 2011, na segunda-feira (6/6), foi um manifesto - e um apoio financeiro bastante relevante a empresas interessadas em alcançar as nuvens sem tirar o pé do chão. “Nós acreditamos que a cloud computing é a força tecnológica mais disruptiva desde o surgimento do computador pessoal”, afirmou o CEO Leo Apotheker na apresentação que marcou o primeiro dia do evento. "O passo da inovação tecnológica nunca foi tão rápido, e os padrões nunca foram tão altos. Esse cenário tem mudado a forma como a tecnologia é entregue e consumida”, disse o CEO. “No processo, temos expandido as fronteiras do que é possível e do que é esperado.”
A oferta financeira, contudo, surpreendeu a plateia - estima-se que a audiência do evento tenha chegado a 10 mil pessoas. "Nós sabemos que nossos clientes pensam sobre seus roadmaps, em como tirar proveito da cloud, e também em como pagar por isso", disse Apotheker. "Estamos comprometidos em viabilizar sua jornada para a cloud, seja com tecnologia, com a implantação ou mesmo com serviços financeiros. Estamos orgulhosos de anunciar que a HP esta disponibilizando 2 bilhões de dólares para financiar iniciativas em cloud de clientes corporativos em todo o mundo, por meio da HP Financial Services. Vão em frente e peguem o dinheiro", provocou.
Boa parte dos anúncios sobre cloud computing – principalmente os serviços públicos de cloud – ficou para esta terça-feira, segundo dia do Discover 2011. “Estamos em vias de fornecer uma pilha completa de soluções de cloud, inclusive de cloud pública, e logo”, resumiu Apotheker.
Ao primeiro dia foram reservados vários anúncios de produtos, alinhados com uma estratégia de computação convergente em que hardware e software são vistos como solução única. É uma visão que combina com a decisão da HP de unir os dois eventos anuais que organizava - o HP Technology Forum e o HP Software Universe - em um só - embora a fusão seja conveniente com a determinação do CEO de reduzir gastos na empresa até o fim do ano, medida que se tornou pública por meio de um documento vazado da empresa em meados de maio.
Data center "in a box"
Foi nesse espírito convergente que a HP apresentou o EcoPOD, uma espécie de data center em uma caixa - na verdade, um contêiner - que promete rapidez na instalação e economia superior de energia. Segundo a HP, um EcoPOD consome até 95% menos energia que uma instalação comum com poder computacional equivalente, pode ser instalado em três meses por um custo que equivale a um terço do que é gasto na construção de um data center convencional.
O anúncio do EcoPOD foi feito aos jornalistas por Mark Potter, vice-presidente sênior e gerente geral de servidores e software. Para mostrar o equipamento – na verdade, uma enorme instalação pré-fabricada em um tipo de contêiner que reúne servidores, armazenamento, rede e refrigeração, tudo controlado em tempo real por dúzias de sensores -, a HP o projetou numa tela transparente que deu a ele um efeito tridimensional.
“Um data center consome muita energia e a abordagem tradicional não é suficiente [para lidar com esse desafio], nem em custo, nem em eficiência”, disse Potter. “A entrega de um data center é demorada – cerca de 24 meses –, o custo médio é de 33 milhões de dólares e o coeficiente de efetividade do uso de eletricidade é de 2,4 – para 2,4 Watt consumido, apenas 1 trabalha. Nós achamos que há um jeito melhor.”
A resposta da HP foi o POD 240a, ou EcoPOD, uma evolução do POD (sigla de Performance Optimized Datacenter) lançado em 2008 que promete um coeficiente de efetividade de uso de eletricidade de 1,09. “A refrigeração é perto da eficiência perfeita”, festejou Potter, que ressaltou também o baixo custo em relação ao data center tradicional: 8 milhões de dólares. “O EcoPOD é entregue 88% mais rápido, custa 75% menos e seu consumo de energia é 95% menor.”
No Brasil, a HP deve instalar esta semana um POD – a solução chegou a ser apresentada em road show como um data center que pode ser transportado em um caminhão. “O que a gente vendeu no Brasil e deve instalar esta semana é um contêiner mesmo”, detalha o vice-presidente de servidores corporativos, armazenamento e redes da HP Brasil, Denoel Eller. O nome do cliente – uma empresa de porte médio, que já era usuária de servidores HP – ainda não pode ser divulgado.
“A ideia do POD é essa”, explica Eller. “O EcoPOD é a evolução deste contêiner em termos de tecnologia e refrigeração. Ele utiliza melhor o espaço – o rack vai até o teto [o EcoPOD pode receber até 4.400 servidores]. Em alguns clientes, o data center é montado a partir dos PODs. Já vai testado e montado, é só ligar a energia elétrica e o ar condicionado. O cliente para o qual vendemos nem vai usá-lo como provisório, será definitivo mesmo. E há vários outros projetos em andamento. Em 12 semanas ele está pronto.”
Novos servidores Storage
Outro foco da HP nos anúncios de segunda-feira foram os equipamentos empresariais de armazenamento de dados (data storage). Na apresentação aos jornalistas, o vice-presidente sênior e gerente geral de armazenamento da HP, David Scott, foi taxativo: “A maioria dos equipamentos de storage de hoje foi projetada há 16, 20 anos. A verdade é que foram feitos para uma outra era. Eles não têm os recursos exigidos pela infraestrutura de cloud computing.”
Para Scott, os servidores de storage da concorrência são complicados de gerenciar, usam sistemas operacionais datados e abusam de tecnologia proprietária fechada. “Nossa solução HP Converged Storage atende aos requisitos de virtualização, cloud computing e massas de dados não estruturados que caracterizam as aplicações atuais”, detalhou. Fazem parte deste anúncio os servidores HP P6000 EVA (quinta geração), o NAS X5000 G2 Windows Storage Server e o Ibrix X9000.
A quinta geração do HP P6000 EVA – um produto que, segundo a HP, teve 100 mil unidades vendidas em suas versões anteriores – é indicada para clientes que desejam preservar seu investimento, explicou Scott. Segundo a HP, ele consome 40% menos energia e economiza 20% em tempo de administração. O modelo está disponível a partir deste mês, com preços nos EUA a partir de 18,9 mil dólares.
Custando a partir de 89,5 mil dólares (nos EUA), o HP Ibrix X9000 é um equipamento que pode crescer a ponto de armazenar de 14 terabytes até 16 petabytes em sua configuração mais parruda. “É um equipamento sob medida para a mineração de conteúdo em tempo real”, aconselhou Scott. Segundo a HP, o Ibrix X9000 consolida dados não estruturados, como e-mail e imagens, em um único repositório, para facilitar buscas. Algumas de suas aplicações incluem servidores de e-mail e sistemas de imagens médicas.
Já o HP X5000 G2 é indicado para empresas médias que já adotam a plataforma Microsoft, aconselha a HP. O equipamento – que, segundo a HP, foi desenvolvido em parceria com a criadora do Windows – promete menor consumo de energia e de espaço físico e armazena até 32 terabytes. Disponível a partir de meados de outubro, o X5000 G2 será vendido nos EUA por preços a partir de 32 mil dólares (versão com 8 terabytes).
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